Renda dos entregadores do iFood é revelada e valor surpreende

A precarização do trabalho de entregadores e motoristas tem sido um tema amplamente discutido nos últimos anos, especialmente com o aumento do uso de aplicativos de transporte e entrega. Isso pois o modelo de negócio adotado por essas plataformas levanta questões sobre os direitos trabalhistas e as condições de serviço desses profissionais.

No caso dos entregadores, muitas vezes atuando como autônomos ou como microempreendedores individuais (MEIs), a jornada de trabalho é bastante flexível, o que pode aparentar ser uma vantagem. No entanto, essa flexibilidade costuma levar a jornadas exaustivas e incertas, sem garantias mínimas de renda ou de segurança.

Remuneração de entregadores e motoristas de aplicativo

A remuneração dos entregadores e motoristas de aplicativo é alvo de muita controvérsia. Enquanto as empresas frequentemente destacam altos valores em seus comunicados à imprensa, estudos independentes têm revelado realidades distintas.

Uma análise realizada pelos pesquisadores da pós-graduação em Direito da UFRJ questionou a metodologia e os dados apresentados pela Amobitec, entidade que representa os aplicativos e que divulgou altos números de remuneração aos trabalhadores, que quase chegam a R$5 mil.

Segundo pesquisa feita pelo grupo Trab21, a remuneração média dos motoristas fica entre R$ 1.056 e R$ 1.672 por mês, após descontar os custos, enquanto os entregadores recebem entre R$ 480 e R$ 816. Esses valores estão consideravelmente abaixo dos divulgados pela Amobitec.

Além disso, a pesquisa destacou que os dados da entidade não levam em conta o tempo à disposição dos trabalhadores, ou seja, o período que eles precisam permanecer conectados ao aplicativo para alcançar uma quantidade de corridas suficiente.

Grande precarização do trabalho via aplicativos

A precarização nesse setor também está relacionada à falta de benefícios e proteções sociais. Ao serem classificados como autônomos ou MEIs, os entregadores e motoristas perdem direitos trabalhistas básicos, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, seguro saúde e previdência social.

Além disso, esses profissionais assumem os custos com veículo, combustível, manutenção e outros gastos operacionais. Isso reduz ainda mais a renda líquida que efetivamente recebem.

Diante dessas condições, a precarização do trabalho de entregadores e motoristas tem gerado uma crescente mobilização e busca por melhores condições laborais. Movimentos e greves têm sido realizados em diversas cidades ao redor do mundo. O objetivo é reivindicar direitos trabalhistas, salários mais justos e maior regulação das plataformas digitais.

Imagem: Travelpixs / Shutterstock.com

Fonte: seucreditodigital.com.br